Apuração de impostos: entenda como funciona em cada regime tributário

Por jean

8 min. de leitura

25/05/2026

A apuração de impostos está no centro da gestão fiscal de qualquer empresa.

Esse processo define quanto o negócio deve pagar em tributos, com base nas suas receitas, despesas e enquadramento tributário.

Erros nessa etapa geram pagamentos indevidos, multas e inconsistências fiscais que podem comprometer o crescimento da empresa.

Já uma apuração bem estruturada garante conformidade com a legislação e oferece mais previsibilidade financeira.

Continue lendo para saber mais.

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O que é apuração de impostos?

Apuração de impostos é o processo de calcular os tributos devidos pela empresa em um determinado período.

Esse cálculo considera todas as operações realizadas, como vendas, prestação de serviços e, em alguns casos, despesas e custos.

A base da apuração são os documentos fiscais emitidos e recebidos, além dos registros contábeis.

Cada imposto possui regras específicas de cálculo, o que exige organização e conhecimento técnico.

O resultado da apuração define os valores que serão pagos ao governo por meio de guias de recolhimento

Além disso, esses dados alimentam as obrigações acessórias enviadas aos órgãos fiscais.

Por isso, da apuração depende o pagamento de impostos, mas também toda a estrutura de compliance tributário da empresa.

Quais impostos entram na apuração?

Os tributos apurados variam conforme o tipo de atividade e o regime tributário adotado. 

Mesmo assim, alguns impostos aparecem com frequência na maioria das empresas.

Entre os principais impostos que uma empresa paga estão:

  • ISS: aplicado a empresas prestadoras de serviços
  • ICMS: relacionado à circulação de mercadorias
  • PIS e COFINS: contribuições federais sobre o faturamento
  • IRPJ: imposto sobre o lucro
  • CSLL: contribuição sobre o lucro líquido.

Empresas comerciais lidam mais com ICMS, enquanto prestadoras de serviço concentram a apuração no ISS.

tributos federais como PIS, COFINS, IRPJ e CSLL aparecem em diferentes regimes, com formas de cálculo distintas.

Como funciona a apuração de impostos?

A apuração segue um fluxo estruturado que se repete periodicamente, geralmente todos os meses.

Esse processo envolve coleta de dados, classificação das operações e aplicação das regras tributárias.

A forma como esse cálculo acontece depende diretamente do regime tributário da empresa. 

A seguir, entenda como funciona em cada caso.

Simples Nacional

No Simples Nacional, a apuração dos impostos segue uma lógica unificada, mas envolve mais critérios do que simplesmente aplicar uma alíquota sobre o faturamento do mês.

A empresa informa sua receita no PGDAS-D, sistema usado para calcular os tributos e gerar o DAS, que é a guia única de pagamento.

A apuração considera três pontos principais:

  • Receita bruta do mês: serve como base direta para o cálculo do imposto a pagar
  • Receita acumulada dos últimos 12 meses: define em qual faixa de tributação a empresa se enquadra (quanto maior o faturamento acumulado, maior tende a ser a alíquota nominal utilizada no cálculo)
  • Atividade exercida e anexo do Simples Nacional aplicável.

Sobre o terceiro item, cada atividade segue uma tabela específica do Simples Nacional. 

Comércio, indústria e serviços não são tributados da mesma forma, e alguns prestadores de serviço ainda precisam observar regras como o fator R.

Outro cuidado essencial está na segregação das receitas, isto é, separar corretamente cada tipo de faturamento antes de transmitir as informações ao PGDAS-D.

Por exemplo:

  • Venda de mercadorias
  • Prestação de serviços
  • Receitas sujeitas à substituição tributária
  • Receitas com retenções ou tributação diferenciada.

Depois que os dados são informados, o sistema calcula automaticamente os tributos incluídos no Simples Nacional e emite o DAS.

Mesmo assim, o resultado depende da qualidade das informações enviadas. 

Quando a receita é classificada de forma errada, a empresa corre o risco de pagar imposto a maior, recolher menos do que deveria ou gerar inconsistências fiscais.

Por isso, apesar de simplificado, o Simples Nacional exige conferência mensal do faturamento, emissão correta das notas fiscais e acompanhamento contábil para garantir que a apuração esteja coerente com a operação real da empresa.

Lucro Presumido

No Lucro Presumido, a apuração dos impostos é mais detalhada do que no Simples Nacional, porque os tributos não são reunidos em uma única guia.

Cada imposto segue sua própria regra de cálculo, prazo e forma de pagamento.

A apuração costuma envolver quatro grupos principais:

O IRPJ e a CSLL são calculados a partir de uma margem de lucro presumida pela legislação.

Isso significa que o Fisco não parte diretamente do lucro real da empresa, mas de um percentual estimado sobre a receita bruta.

Essa margem varia conforme a atividade exercida. 

Empresas comerciais, prestadoras de serviços, clínicas, transportadoras e negócios de intermediação, por exemplo, seguem percentuais diferentes de presunção.

Depois de aplicada essa margem, chega-se às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 

Sobre elas, são aplicadas as alíquotas correspondentes de cada tributo.

Já o PIS e a COFINS seguem outra lógica: no Lucro Presumido, eles normalmente são apurados pelo regime cumulativo, com alíquotas fixas sobre o faturamento.

Ou seja, em regra, não há aproveitamento amplo de créditos tributários como ocorre no regime não cumulativo.

Também é preciso observar os tributos ligados à operação principal da empresa:

  • ISS, para atividades de prestação de serviços
  • ICMS, para comércio, indústria e circulação de mercadorias
  • Regras específicas, quando houver retenções, substituição tributária ou incidência monofásica.

Por isso, o Lucro Presumido exige controle mais cuidadoso das receitas, emissão correta das notas fiscais e separação adequada das operações.

Embora seja menos complexo que o Lucro Real, esse regime demanda acompanhamento contábil próximo para garantir que cada tributo seja apurado conforme a regra fiscal aplicável.

Lucro Real

A apuração dos impostos no Lucro Real é mais complexa do que nos demais regimes tributários, porque parte do resultado contábil efetivo da empresa.

Em vez de usar uma margem presumida, como ocorre no Lucro Presumido, esse regime considera o lucro realmente apurado no período, com base nas receitas, custos e despesas registrados na contabilidade.

A apuração exige atenção a três frentes principais:

  • Resultado contábil da empresa
  • Ajustes exigidos pela legislação fiscal
  • Créditos e débitos de tributos apurados no período.

O ponto de partida é o lucro contábil, calculado a partir das receitas menos os custos e despesas da operação.

Depois disso, são feitos ajustes fiscais previstos na legislação, como adições, exclusões e compensações.

Esses ajustes existem porque nem toda despesa aceita pela contabilidade reduz a base de cálculo dos tributos, e nem toda receita segue o mesmo tratamento fiscal.

A partir dessa base ajustada, são calculados o IRPJ e a CSLL. 

Por isso, qualquer erro no registro de receitas, despesas, provisões, perdas, depreciações ou custos operacionais interfere diretamente no valor dos impostos sobre o lucro.

O PIS e a COFINS também seguem uma lógica própria no Lucro Real. 

Nesse regime, eles normalmente são apurados pelo modelo não cumulativo, que permite o aproveitamento de créditos sobre determinadas compras, insumos, despesas e custos vinculados à atividade da empresa.

Isso torna a apuração mais estratégica, mas também mais sensível a erros. É preciso avaliar, por exemplo:

  • Quais despesas geram crédito
  • Quais receitas sofrem tributação
  • Quais operações têm alíquota diferenciada
  • Quais documentos fiscais sustentam os créditos aproveitados.

Por essa razão, o Lucro Real exige integração constante entre as áreas contábil, fiscal e financeira.

A empresa precisa manter registros consistentes, conciliar informações com frequência e acompanhar de perto a legislação aplicável ao seu setor.

Embora seja o regime mais trabalhoso, ele tende a ser adequado para empresas com margens menores, despesas relevantes ou operações mais complexas, já que os tributos sobre o lucro acompanham o resultado efetivo do negócio.

Como otimizar a apuração de impostos?

A otimização da apuração de impostos envolve reduzir erros, melhorar processos e garantir que a empresa não pague tributos além do necessário.

Veja algumas dicas essenciais:

  1. Organização das informações fiscais: sistemas integrados ajudam a centralizar dados e automatizar cálculos, reduzindo falhas operacionais
  2. Revisão periódica das classificações fiscais: evita inconsistências que impactam o valor dos tributos.
  3. Escolha do regime tributário adequado: a análise deve considerar faturamento, margem de lucro e tipo de atividade, porque um enquadramento incorreto pode aumentar significativamente a carga tributária
  4. Apuração alinhada com a gestão financeira: tributos fazem parte dos custos da empresa e influenciam diretamente o fluxo de caixa
  5. Uso de ferramentas de visualização de dados: esses recursos ajudam a enxergar os impactos com mais clareza.

Mais importante do que tudo isso é ter um apoio contábil qualificado. Esse suporte permite identificar oportunidades de economia tributária dentro da legalidade e manter a empresa em conformidade.

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