Conseguir crédito para abrir empresa é um entre diversos desafios que os empreendedores brasileiros precisam enfrentar para dar início ao próprio negócio.
A missão é difícil, mas não impossível.
Há opções de empréstimo para abrir um negócio que são oferecidas por instituições financeiras tradicionais e também por fintechs que fazem a intermediação do tipo Peer to Peer Lending.
Para o empreendedor, abrir um negócio com recursos de terceiros precisa ser analisado sob dois aspectos:
- Vantagem de concretizar plano de negócios sem o investimento de recursos próprios
- Desvantagem de correr o risco financeiro associado ao custo do capital de terceiro.
Ao longo deste artigo, vamos explorar as opções de crédito disponíveis, a viabilidade econômica de um empréstimo e os custos associados ao processo.
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Crédito para abrir empresa vale a pena?
Definir se crédito para abrir empresa vale ou não a pena depende de diversos fatores, como o tipo de empreendimento, plano de negócios e viabilidade econômico-financeira.
Para muitos empreendedores, o crédito pode ser uma ferramenta essencial para aquisição de equipamentos, aluguel do ponto comercial, contratação de funcionários e formação do estoque.
No entanto, é importante ter uma estratégia financeira bem fundamentada e um plano de negócios sólido para garantir que o dinheiro seja utilizado de maneira eficiente.
Vale ressaltar que a decisão de abrir um negócio envolve riscos e exige planejamento financeiro, principalmente quando parte do investimento depende de recursos de terceiros.
Um estudo divulgado pelo Sebrae e pelo Banco do Nordeste em 2025, com empresas abertas entre 2019 e 2024 nessa região, mostrou que as micro e pequenas empresas que combinaram acesso a crédito com consultoria apresentaram taxa de sobrevivência de 89,5% em seis anos.
Segundo o levantamento, essa combinação reduziu em cerca de 50% o risco de encerramento do negócio, reforçando que tão importante quanto conseguir recursos é utilizá-los com planejamento e acompanhamento da gestão.
Linhas de crédito para abrir empresa no Brasil
Existem diferentes opções de crédito para abrir empresas no Brasil, tanto entre instituições financeiras quanto programas governamentais e plataformas de financiamento coletivo.
Algumas opções incluem:
Bancos comerciais
A principal fonte de financiamento para abertura de empresas no Brasil ainda são os bancos comerciais e as fintechs que democratizaram o acesso aos micro e pequenos empreendedores.
Além de empréstimo para colocar o projeto de pé, muitos bancos oferecem linhas de crédito rotativo, financiamento para investimentos fixos e capital de giro.
Vale ressaltar que, se você ainda não tem histórico de faturamento, talvez encontre dificuldades em conseguir recursos em quantia necessária para abrir seu negócio, a menos que use artifícios, como empréstimo com garantia.
Microcrédito Produtivo Orientado
Programas governamentais, como o Microcrédito Produtivo Orientado (MPO), também podem ser uma opção para quem precisa abrir uma empresa, mas não tem o capital necessário.
O MPO é uma modalidade destinada ao financiamento de atividades produtivas e integra as políticas do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO).
Seu público inclui pessoas naturais e jurídicas empreendedoras com renda ou receita bruta anual dentro do limite estabelecido para microempresa.
Há juros efetivos de até 4% ao mês, prazo mínimo em regra de 120 dias e taxa de abertura de crédito de até 3%, sendo vedadas outras taxas ou despesas.
É ideal para quem pretende começar pequeno, como empreendedor individual, MEI ou microempresa (faturamento de até R$ 360 mil).
Peer to Peer Lending
Outra alternativa para buscar crédito é o Peer to Peer Lending (P2P), ou empréstimo entre pessoas, realizado no Brasil por meio das Sociedades de Empréstimo entre Pessoas (SEPs).
As SEPs são instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central que fazem a intermediação entre quem disponibiliza os recursos e quem busca o financiamento por meio de plataformas eletrônicas.
Nesse modelo, a própria SEP não empresta recursos do seu caixa, mas conecta credores e devedores e realiza a análise de crédito da operação.
Empresas também podem contratar crédito por essa modalidade, mas a aprovação e as condições oferecidas dependem da análise de fatores como situação financeira, endividamento, capacidade de geração de caixa e limite de crédito.
Por isso, para quem está começando um negócio e ainda não possui histórico de faturamento, vale comparar as condições disponíveis no P2P com empréstimos bancários, microcrédito e outras linhas destinadas a pequenos negócios.
Investidores e equity crowdfunding
Se você precisa de capital para abrir sua empresa, mas não quer se endividar, pode considerar também o equity crowdfunding, estratégia muito utilizada pelas startups.
No crowdfunding de investimento, a empresa capta recursos oferecendo valores mobiliários aos investidores, que podem representar participação societária, instrumentos conversíveis ou títulos de dívida, conforme a estrutura escolhida para a oferta.
A vantagem é que, como sócios-investidores, eles assumem o risco junto com você, o que significa que se o projeto não der certo, você pelo menos não corre o risco do endividamento.
Como conseguir crédito para abrir empresa?
Obter crédito para abrir empresa requer planejamento, preparo, gestão profissional e bastante pesquisa.
A seguir, confira algumas etapas a serem cumpridas:
1. Construa um plano de negócios sólido
Antes de solicitar crédito para abrir empresa, certifique-se de ter um plano de negócios detalhado que descreva sua ideia de negócio, modelo de receita, projetos financeiros e expectativas de retorno.
Este é um documento essencial para convencer os credores, seja uma instituição financeira ou investidores que estão do outro lado de uma plataforma de debt crowdfunding.
2. Avalie as opções disponíveis no mercado
Investigue as diferentes opções de financiamento disponíveis.
Entre as fontes de crédito estão bancos, cooperativas de crédito, fintechs autorizadas e programas públicos de financiamento, além de alternativas de captação como investidor-anjo e fundos de venture capital.
Analise e compare taxas de juros, prazos de pagamento, garantias, entre outros aspectos que podem suavizar o custo do capital dentro de sua estrutura financeira.
3. Esteja com a documentação em dia
Mesmo que sua empresa ainda não esteja em funcionamento, ao recorrer a crédito para estruturar o negócio, é preciso estar com a documentação em dia.
Isso inclui registro do CNPJ, contas bancárias em nome da pessoa jurídica, licenças e alvarás, bem como documentos pessoais dos sócios e eventuais fiadores.
É importante que você, enquanto sócio, também tenha um bom histórico de crédito e bom relacionamento com o banco, principalmente nos casos de empresários individuais.
4. Defina se o crédito será no CPF ou no CNPJ
Caso você opte por contratar o empréstimo em seu nome (CPF) por motivos como score ou limite maior na pessoa física, é importante atentar-se aos aspectos jurídicos e tributários.
Vale ressaltar que uma dívida feita no CPF pertence legalmente à pessoa física e não à empresa.
Uma hipótese a se considerar, nesse caso, é contratar a dívida como pessoa física e transferir o recurso para a empresa na forma de integralização do capital social.
Lembre-se de que o processo de obtenção de crédito para abrir empresa pode variar de acordo com a localização geográfica, o tipo de negócio e outras circunstâncias.
Sempre é recomendável buscar aconselhamento financeiro profissional e fazer uma investigação aprofundada antes de tomar uma decisão.
É melhor pegar crédito no CPF ou no CNPJ?
Não existe uma resposta única: a melhor opção depende principalmente do custo do empréstimo, das garantias exigidas e do estágio em que a empresa se encontra.
Para quem ainda não abriu o CNPJ, contratar crédito no CPF pode ser o caminho disponível para financiar os primeiros investimentos do negócio.
Nesse caso, porém, é importante lembrar que a dívida pertence à pessoa física, mesmo que todo o dinheiro seja utilizado na empresa.
Isso significa que as parcelas continuam sendo uma obrigação pessoal do empreendedor e não passam automaticamente para o CNPJ depois que a empresa é aberta.
Se a empresa já está formalizada, contratar o crédito diretamente no CNPJ tende a facilitar a separação entre as finanças pessoais e empresariais, além de deixar mais claro contabilmente de onde vieram os recursos utilizados no negócio.
Por outro lado, uma empresa recém-aberta e sem histórico de faturamento nem movimentação financeira pode encontrar limites menores ou condições menos favoráveis do que aquelas disponíveis ao empreendedor como pessoa física.
Por isso, mais importante do que escolher entre CPF ou CNPJ de forma automática é comparar o Custo Efetivo Total (CET) das propostas.
O CET reúne juros, tarifas, tributos e outras despesas da operação, e deve ser informado pelas instituições financeiras para permitir a comparação entre diferentes ofertas de crédito.
Também é necessário observar as garantias exigidas, porque um empréstimo contratado pela empresa pode contar com garantia pessoal do empresário ou dos sócios, conforme as condições negociadas com a instituição financeira.
E se o empréstimo for feito no CPF para investir na empresa?
Se você contratar o crédito no CPF e depois transferir o dinheiro para o CNPJ, essa movimentação precisa ter uma justificativa contábil.
Uma possibilidade é utilizar os recursos para integralizar o capital social da empresa, formalizando o valor como parte do capital investido pelo sócio.
Nesse caso, o dinheiro passa a integrar o patrimônio da empresa, enquanto o empréstimo contratado originalmente continua sendo uma dívida da pessoa física.
Outra possibilidade é o sócio emprestar os recursos para a própria empresa por meio de um contrato de mútuo.
Nessa estrutura, a empresa registra uma obrigação financeira perante o sócio e as condições de devolução dos recursos devem ser formalizadas e corretamente registradas na contabilidade.
Capital social e empréstimo do sócio são operações diferentes e não devem ser tratadas como uma simples transferência de dinheiro entre contas.
Por isso, se o crédito for contratado no CPF para financiar a empresa, vale definir com o contador como o aporte será registrado antes de realizar a transferência.
De maneira geral, se o negócio já possui CNPJ e consegue crédito empresarial com um CET competitivo, contratar diretamente pela empresa costuma tornar a gestão financeira e contábil mais organizada.
Se as condições no CPF forem significativamente melhores, ainda é possível utilizar recursos pessoais no negócio, desde que a dívida pessoal e a entrada do dinheiro na empresa sejam tratadas como operações distintas.
Quanto custa para abrir uma empresa?
Os custos de registro e formalização variam conforme o estado, o município, a natureza jurídica e a atividade exercida pela empresa.
Para ter uma referência, em 2026 a Junta Comercial do Rio Grande do Sul cobra R$ 205,02 pelo registro do contrato social de uma sociedade empresária.
Apesar disso, a constituição de LTDA e Sociedade Limitada Unipessoal é gratuita quando realizada pelo sistema de registro automático com o contrato padrão disponibilizado pelo próprio estado.
Na Bahia, por exemplo, a tabela da Junta Comercial atualizada em 2026 estabelece uma taxa de R$ 360 para a constituição de uma sociedade limitada.
Esses valores dizem respeito ao registro empresarial e não incluem necessariamente despesas com licenciamento, autorizações específicas, taxas municipais ou serviços profissionais, que dependem da localização e do tipo de atividade.
Portanto, somente as taxas burocráticas para abrir uma sociedade limitada podem ir de zero, em procedimentos estaduais que concedem isenção, a algumas centenas de reais antes de considerar outras despesas relacionadas ao negócio.
É importante não confundir o custo burocrático de abertura do CNPJ com o investimento necessário para efetivamente colocar a empresa em funcionamento.
Dependendo do negócio, o empreendedor ainda precisará reservar recursos para equipamentos, estoque, aluguel, marketing, contratação de funcionários e, principalmente, capital de giro para sustentar os primeiros meses da operação.
Por isso, uma empresa cuja formalização custa algumas centenas de reais pode exigir milhares ou até centenas de milhares de reais para começar a funcionar, dependendo de sua estrutura.
Em vez de adotar uma estimativa genérica, o mais seguro é elaborar um orçamento de abertura considerando os investimentos iniciais e projetar o capital de giro necessário até que as receitas da empresa sejam suficientes para financiar a própria operação.
Valor do crédito para abrir a empresa
O valor do crédito necessário para abrir empresa também varia significativamente.
O total necessário depende do tipo de negócio, das necessidades de capital de giro e dos investimentos iniciais.
Vale ressaltar que uma empresa, mesmo em setores consolidados, precisa dispor de recursos suficientes para sustentar suas operações enquanto aguarda o recebimento das vendas.
Conhecido também como ciclo de caixa, o ciclo financeiro corresponde ao intervalo de tempo entre o pagamento aos fornecedores (saída de caixa) e o recebimento dos clientes (entrada de caixa).
Durante esse período, a empresa pode precisar de capital de giro para financiar suas operações.
A meta é atingir o break even (ponto de equilíbrio), que corresponde ao nível em que as receitas se igualam aos custos e às despesas, sem geração de lucro ou prejuízo.
Para chegar ao valor do crédito para abrir sua empresa, portanto, você precisa ir por partes:
- Fazer um plano de negócios e um plano orçamentário para determinar quanto será necessário para tirar a empresa do papel
- Verificar com os potenciais credores e investidores (bancos, crowdfunding ou plataforma P2P) qual o limite de crédito disponível para você.
Dependendo das necessidades de capital do seu negócio e das condições de crédito, pode haver uma distância substancial entre o quanto você precisa e o quanto tem disponível para contratar.
Se o crédito não for suficiente, você tem algumas alternativas, como:
- Enxugar o plano de negócios, de modo a reduzir o custo de abertura
- Escalonar o plano de investimentos, de maneira a suavizar o Capex (despesas de capital)
- Mesclar o crédito para abrir empresa com capital próprio, buscando uma estrutura ótima de capital.
É importante ponderar também o custo do capital (juros e amortização) dentro da operação do seu negócio e o quanto isso pode comprometer seu fluxo de caixa.
Dependendo do nível de risco percebido pelos credores, as taxas de juros e os encargos de um empréstimo podem sufocar o seu negócio, tornando a dívida difícil de pagar.
Essa percepção de risco por parte de quem concede o crédito aumenta em função de diferentes fatores, como empresas sem um histórico consistente de faturamento, pouca ou nenhuma garantia e baixo score de crédito do empresário.
Alternativas ao crédito para abrir empresa
Como vimos, para não se endividar, uma alternativa ao crédito para abrir empresa é a busca por investidores.
Há modalidades de investimento em que, diferentemente do credor (que empresta dinheiro), o investidor se torna sócio do negócio e, como tal, participa dos lucros ou prejuízos dele.
Se a empresa crescer e lucrar, o sócio tem sua parcela nos resultados. Se não, o empreendedor também não tem dívidas a pagar.
As startups, modelos de negócios altamente arriscados, usam muito o mecanismo de investidor-anjo ou venture capital para crescer e escalar.
No universo de empresas que atuam em mercados convencionais, isso também pode ocorrer, seja por meio de plataformas de equity crowdfunding ou por meio de negociações presenciais.
A entrada de um novo sócio exige a formalização societária correspondente, normalmente com alteração do contrato social e registro no órgão competente.
Além disso, pode ser feito um acordo de sócios, que é facultativo e costuma ser utilizado para disciplinar direitos, deveres, governança e regras de saída dos participantes.
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