O código CST de situação tributária é uma das classificações fiscais que aparecem no dia a dia das empresas que comercializam mercadorias, emitem notas fiscais e precisam informar corretamente a tributação de cada operação.
Embora o assunto envolva códigos, tabelas e regras de ICMS, entender a lógica do CST facilita bastante a interpretação das informações fiscais.
O primeiro cuidado é saber que a sigla CST não se refere a uma única tabela utilizada indistintamente para todos os tributos.
Existem códigos relacionados ao ICMS, IPI, PIS, Cofins e, com a Reforma Tributária do Consumo, também números específicos para IBS e CBS.
Neste artigo, o foco principal será o CST do ICMS, formado pela combinação da origem da mercadoria com o tratamento tributário aplicado à operação.
Ao longo do conteúdo, você também entenderá a diferença entre CST e CSOSN, conhecerá as tabelas atuais e verá como a Reforma Tributária interfere nesse assunto.
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O que é código CST?
CST é a sigla para Código de Situação Tributária, uma classificação utilizada nos documentos fiscais para identificar o tratamento tributário aplicável a determinada operação.
No caso do ICMS, o CST é formado por três dígitos na estrutura ABB:
- O primeiro dígito, representado pela letra A, identifica a origem da mercadoria ou do bem
- Os dois dígitos seguintes, representados por BB, indicam a situação da operação em relação ao ICMS.
Por exemplo, no código CST 000, o primeiro zero representa determinada origem da mercadoria, enquanto os dois zeros seguintes representam a tributação integral pelo ICMS.
Essa estrutura está prevista na regulamentação do ICMS e é utilizada no preenchimento de documentos fiscais eletrônicos.
Além do CST, a emissão de uma nota fiscal exige atenção a outras classificações, como NCM, CFOP, CEST e Código de Regime Tributário, já que cada uma informa um aspecto diferente da operação.
Empresas optantes pelo Simples Nacional também precisam observar regras específicas, porque em diversas operações utilizam o CSOSN no lugar do CST do ICMS.
Para que serve o código CST?
O código CST permite identificar como determinada operação deve ser tratada em relação ao tributo ao qual o código se refere.
No ICMS, ele ajuda a informar se a operação é tributada integralmente, possui redução de base de cálculo, está isenta, tem diferimento, envolve substituição tributária ou se enquadra em outra situação prevista na legislação.
Essa classificação é importante tanto para o cálculo e a escrituração dos impostos quanto para o controle realizado pelas administrações tributárias.
Uma informação incorreta de CST também compromete a qualidade dos dados fiscais da empresa e, dependendo do caso, gera rejeições na emissão do documento ou inconsistências em escriturações e apurações.
O código ainda interessa às empresas que participam da operação, especialmente nas relações entre pessoas jurídicas, porque o tratamento do ICMS influencia questões como créditos tributários e substituição tributária.
Por isso, para escolher um CST, é necessário interpretar a operação concreta e confrontá-la com o regime tributário da empresa, a legislação aplicável ao produto e as regras do estado envolvido.
Quando usar o código CST?
O CST do ICMS aparece principalmente na emissão e na escrituração de documentos fiscais relativos às operações sujeitas às regras desse imposto.
Na NF-e, o sistema utiliza a situação tributária informada no item para determinar quais campos do ICMS precisam ser preenchidos.
O CST também aparece nas escriturações fiscais e em outras obrigações acessórias nas quais a empresa precisa informar ao Fisco o tratamento tributário das operações realizadas.
Obrigação acessória, nesse contexto, não significa apenas um documento que comprova o pagamento de impostos.
O Código Tributário Nacional utiliza o termo para as obrigações de fazer ou deixar de fazer estabelecidas pela legislação no interesse da arrecadação ou da fiscalização tributária.
O cadastro fiscal dos produtos merece atenção especial porque informações incorretas configuradas no sistema de gestão tendem a se repetir nas notas fiscais posteriores.
Por isso, a tabela de CST deve ser analisada em conjunto com outros elementos da operação, e não cadastrada apenas uma vez e esquecida.
Qual a diferença entre CST e CSOSN?
CST e CSOSN são códigos utilizados para informar a situação tributária de uma operação em relação ao ICMS, mas não são aplicados da mesma forma para todas as empresas.
A principal diferença está no regime tributário e no enquadramento fiscal do contribuinte que emite a nota.
Para entender essa distinção, é importante conhecer primeiro o CRT, sigla para Código de Regime Tributário, uma informação utilizada nos documentos fiscais eletrônicos para indicar em qual condição tributária a empresa está enquadrada.
É o CRT que determina se a empresa deve utilizar CST ou CSOSN na informação do ICMS.
O CRT 1 identifica empresas optantes pelo Simples Nacional. Nessa situação, a empresa utiliza, em regra, os códigos CSOSN, sigla para Código de Situação da Operação no Simples Nacional.
O CRT 2 é utilizado por empresas do Simples Nacional que ultrapassaram o sublimite de receita bruta aplicável ao recolhimento do ICMS ou do ISS dentro desse regime.
Para fins de ICMS, essas empresas passam a utilizar CST nas situações previstas pela legislação.
Já o CRT 3 corresponde ao regime normal e abrange, por exemplo, empresas tributadas pelo Lucro Presumido ou pelo Lucro Real.
Esses contribuintes utilizam o CST para identificar a situação tributária das operações relativas ao ICMS.
Já o CRT 4 identifica o Microempreendedor Individual (MEI), que utiliza os códigos admitidos para esse enquadramento conforme as regras da nota fiscal eletrônica.
Assim, CST e CSOSN continuam coexistindo, e a escolha entre eles depende do enquadramento do emitente e das características da operação.
Também existem exceções específicas, como determinadas operações com combustíveis sujeitos à tributação monofásica do ICMS, nas quais contribuintes do Simples Nacional podem utilizar códigos CST próprios.
Por isso, antes de escolher entre CST e CSOSN, é necessário verificar o CRT da empresa e o tratamento tributário aplicável à operação.
Parece complexo? Aí está a importância de contar com um contador de confiança, que vai lidar com essas questões e tomar as melhores decisões para a sua empresa.
Qual a diferença entre CST e CEST?
CST e CEST cumprem funções diferentes e, em determinadas operações, aparecem simultaneamente no documento fiscal.
O CST informa qual é o tratamento tributário da operação em relação ao ICMS.
Já o CEST é o Código Especificador da Substituição Tributária, que identifica determinados bens e mercadorias relacionados às regras de substituição tributária e antecipação do ICMS.
Um mesmo produto listado na regulamentação do CEST não necessariamente terá substituição tributária em todas as operações realizadas.
Isso acontece porque a aplicação efetiva do ICMS-ST depende, entre outros fatores, do produto, da operação, dos estados envolvidos e da legislação vigente em cada unidade federativa.
Por isso, o fato de uma mercadoria possuir CEST não determina sozinho qual CST deve ser utilizado.
Como saber qual código CST usar?
A escolha do código CST começa pela identificação correta da operação e termina somente depois da análise das regras tributárias que incidem sobre ela.
Veja os passos para decidir abaixo.
1. Confira o regime tributário e o CRT da empresa
O primeiro passo é identificar se o emitente utiliza CST ou CSOSN naquela operação.
Empresas do regime normal normalmente estão enquadradas no CRT 3, enquanto empresas do Simples Nacional normalmente aparecem nos CRTs 1, 2 ou 4 conforme sua situação.
O regime tributário, entretanto, não resolve sozinho a classificação, especialmente nas exceções previstas para tributação monofásica.
2. Identifique a origem da mercadoria
Para o CST do ICMS, o primeiro dígito vem da Tabela A (veja adiante) e informa a origem do produto ou bem.
Essa análise distingue, por exemplo, mercadorias nacionais, importadas diretamente e adquiridas no mercado interno com conteúdo estrangeiro.
3. Determine a situação tributária do ICMS
Depois da origem, é necessário verificar como o ICMS incide naquela operação.
A empresa precisa identificar se existe tributação integral, redução de base de cálculo, isenção, diferimento, suspensão, substituição tributária ou outra hipótese específica.
4. Verifique benefícios fiscais e regras estaduais
O ICMS é um tributo estadual e diversas situações dependem da legislação da unidade federativa envolvida.
Benefícios fiscais, diferimentos, reduções de base de cálculo e exigências relacionadas ao código de benefício fiscal são exemplos de fatores que interferem no preenchimento da NF-e.
5. Cruze o CST com os demais códigos fiscais
O CST precisa ser coerente com informações como CFOP, NCM, CEST e eventual código de benefício fiscal.
Uma combinação incompatível entre esses dados gera inconsistências e, em determinadas situações, rejeição do documento fiscal.
Como funciona a tabela CST do ICMS?
O CST do ICMS é formado pela combinação de duas tabelas:
- A Tabela A fornece o primeiro dígito do código e indica a origem da mercadoria ou do bem
- A Tabela B fornece os dois dígitos seguintes e informa a situação tributária da operação em relação ao ICMS.
Assim, para chegar ao CST completo, é necessário combinar as duas informações.
Veja as duas tabelas a seguir.
Tabela A do CST: origem da mercadoria ou bem
| Código | Origem |
| 0 | Nacional, exceto as indicadas nos códigos 3, 4, 5 e 8 |
| 1 | Estrangeira, importação direta, exceto a indicada no código 6 |
| 2 | Estrangeira, adquirida no mercado interno, exceto a indicada no código 7 |
| 3 | Nacional, com Conteúdo de Importação superior a 40% e inferior ou igual a 70% |
| 4 | Nacional, produzida em conformidade com os processos produtivos básicos previstos na legislação |
| 5 | Nacional, com Conteúdo de Importação inferior ou igual a 40% |
| 6 | Estrangeira, importação direta, sem similar nacional nas condições previstas na legislação, e gás natural |
| 7 | Estrangeira, adquirida no mercado interno, sem similar nacional nas condições previstas na legislação, e gás natural |
| 8 | Nacional, com Conteúdo de Importação superior a 70% |
A descrição do código 8 merece atenção porque ele se aplica à mercadoria ou bem nacional com conteúdo de importação superior a 70%, informação que não deve ser omitida na interpretação da tabela.
Tabela B do CST: tributação pelo ICMS
A Tabela B passou por diversas alterações e atualmente contempla também códigos específicos para situações de substituição tributária e tributação monofásica de combustíveis.
| Código | Situação tributária |
| 00 | Tributada integralmente |
| 02 | Tributação monofásica própria sobre combustíveis |
| 10 | Tributada com ICMS devido por substituição tributária relativo às operações e prestações subsequentes |
| 15 | Tributação monofásica própria e com responsabilidade pela retenção sobre combustíveis |
| 20 | Tributada com redução de base de cálculo |
| 30 | Isenta ou não tributada com ICMS devido por substituição tributária |
| 40 | Isenta |
| 41 | Não tributada |
| 50 | Suspensão |
| 51 | Diferimento |
| 53 | Tributação monofásica sobre combustíveis com recolhimento diferido |
| 60 | ICMS cobrado anteriormente por substituição tributária ou por antecipação com encerramento de tributação |
| 61 | Tributação monofásica sobre combustíveis cobrada anteriormente |
| 70 | Tributada com redução de base de cálculo e com ICMS devido por substituição tributária relativo às operações e prestações subsequentes |
| 90 | Outras |
As descrições seguem a atual estrutura da Tabela B reorganizada pelo Ajuste SINIEF 39/2023 e suas alterações posteriores, cuja aplicação também aparece consolidada nas regulamentações estaduais.
Como o ICMS possui legislação estadual e as regras passam por alterações frequentes, o enquadramento concreto de uma operação sempre deve ser conferido antes da emissão do documento fiscal.
Como interpretar um código CST?
A melhor maneira de entender a estrutura do CST é separar seus três dígitos.
Imagine uma empresa sujeita à utilização do CST que venda uma mercadoria estrangeira adquirida no mercado interno.
Se a mercadoria se enquadrar no código 2 da Tabela A e a operação tiver redução da base de cálculo correspondente ao código 20 da Tabela B, a combinação resulta no CST 220.
A partir daí, consideramos o seguinte:
- O primeiro dígito informa a origem estrangeira adquirida no mercado interno nas condições do código 2
- Os dois últimos dígitos indicam uma operação tributada com redução de base de cálculo.
Esse exemplo explica a formação do código, mas não significa que toda venda de mercadoria estrangeira adquirida internamente utilizará CST 220.
A redução de base de cálculo precisa estar efetivamente prevista na legislação aplicável à operação.
Como colocar o código CST na nota fiscal eletrônica?
O procedimento operacional depende do sistema utilizado para emitir a NF-e. Normalmente, o CST aparece na área destinada à tributação do ICMS de cada item da nota fiscal.
O sistema também solicita outras informações de acordo com o código informado, como base de cálculo, alíquota, valor do imposto, dados de substituição tributária e eventuais benefícios fiscais.
Por essa razão, se você for alterar manualmente o CST, a mudança precisa refletir o tratamento tributário correto da operação.
Um cadastro fiscal bem estruturado reduz o trabalho manual porque permite que o emissor associe previamente NCM, CFOP, origem, CST ou CSOSN e outros dados relevantes ao produto.
Tabela CSOSN do Simples Nacional
Nas operações em que o contribuinte deve utilizar o CSOSN, os códigos seguem uma tabela própria.
| CSOSN | Situação |
| 101 | Tributada pelo Simples Nacional com permissão de crédito |
| 102 | Tributada pelo Simples Nacional sem permissão de crédito |
| 103 | Isenção do ICMS no Simples Nacional para faixa de receita bruta |
| 201 | Tributada pelo Simples Nacional com permissão de crédito e com cobrança do ICMS por substituição tributária |
| 202 | Tributada pelo Simples Nacional sem permissão de crédito e com cobrança do ICMS por substituição tributária |
| 203 | Isenção do ICMS no Simples Nacional para faixa de receita bruta e com cobrança do ICMS por substituição tributária |
| 300 | Imune |
| 400 | Não tributada pelo Simples Nacional |
| 500 | ICMS cobrado anteriormente por substituição tributária ou por antecipação |
| 900 | Outras |
A legislação atual determina o uso do CSOSN nas situações previstas para contribuintes enquadrados no CRT 1 ou 4, ressalvadas as exceções aplicáveis, como determinados códigos da tributação monofásica de combustíveis.
Portanto, uma empresa do Simples Nacional não deve simplesmente escolher na tabela tradicional de CST o código que mais se parece com a sua operação.
O sistema tributário utilizado pelo emitente e as regras específicas da operação precisam ser considerados antes da classificação.
A Reforma Tributária vai acabar com o código CST do ICMS?
A Reforma Tributária prevê uma transição gradual do sistema atual para o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), e não a substituição imediata de todos os tributos e códigos existentes em uma única data.
Durante essa transição, as empresas convivem com obrigações relacionadas ao sistema atual e com os novos campos e classificações dos tributos criados pela reforma.
Em 2026, os documentos fiscais eletrônicos já possuem adaptações específicas para informações de IBS e CBS, inclusive CST-IBS/CBS e cClassTrib.
Isso exige atenção redobrada porque existem códigos com a mesma sigla associados a tributos diferentes.
O leiaute dos documentos fiscais eletrônicos recebeu campos específicos para o CST-IBS/CBS e para o código de classificação tributária denominado cClassTrib.
O Portal Nacional da NF-e mantém uma tabela própria para essas classificações e publicou uma versão atualizada em 23 de junho de 2026.
Isso não significa que o antigo CST do ICMS simplesmente mudou de nome. O CST do ICMS continua identificando situações relacionadas ao imposto estadual enquanto ele permanecer aplicável durante o período de transição da Reforma Tributária.
Já o CST-IBS/CBS está vinculado aos novos tributos e trabalha em conjunto com o cClassTrib para identificar de forma mais detalhada o tratamento previsto na Lei Complementar nº 214/2025.
Por isso, empresas e sistemas fiscais precisam distinguir claramente os dois conceitos. Quando um sistema solicitar “CST”, vale conferir a qual tributo aquele campo pertence antes de selecionar qualquer código.
Contabilidade especializada ajuda a evitar erros no CST
O código CST é apenas uma das informações fiscais que precisam estar alinhadas para uma empresa emitir documentos corretamente e manter sua escrituração em dia.
O desafio aumenta porque a classificação não depende apenas do produto, mas também da operação, do regime tributário, da legislação estadual e das mudanças trazidas pela Reforma Tributária.
Um erro cadastral repetido durante meses gera uma quantidade significativa de documentos fiscais com informações inconsistentes.
Por isso, o acompanhamento contábil e fiscal demanda uma boa contabilidade, que orienta a configuração fiscal da empresa, acompanha alterações normativas e identifica situações que exigem revisão antes que o problema se acumule.
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