Código CST: o que é, para que serve e tabela atualizada e como usar

Por jean

15 min. de leitura

02/11/2026

O código CST de situação tributária é uma das classificações fiscais que aparecem no dia a dia das empresas que comercializam mercadorias, emitem notas fiscais e precisam informar corretamente a tributação de cada operação.

Embora o assunto envolva códigos, tabelas e regras de ICMS, entender a lógica do CST facilita bastante a interpretação das informações fiscais.

O primeiro cuidado é saber que a sigla CST não se refere a uma única tabela utilizada indistintamente para todos os tributos.

Existem códigos relacionados ao ICMS, IPI, PIS, Cofins e, com a Reforma Tributária do Consumo, também números específicos para IBS e CBS.

Neste artigo, o foco principal será o CST do ICMS, formado pela combinação da origem da mercadoria com o tratamento tributário aplicado à operação.

Ao longo do conteúdo, você também entenderá a diferença entre CST e CSOSN, conhecerá as tabelas atuais e verá como a Reforma Tributária interfere nesse assunto.

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O que é código CST?

CST é a sigla para Código de Situação Tributária, uma classificação utilizada nos documentos fiscais para identificar o tratamento tributário aplicável a determinada operação.

No caso do ICMS, o CST é formado por três dígitos na estrutura ABB:

  • O primeiro dígito, representado pela letra A, identifica a origem da mercadoria ou do bem
  • Os dois dígitos seguintes, representados por BB, indicam a situação da operação em relação ao ICMS.

Por exemplo, no código CST 000, o primeiro zero representa determinada origem da mercadoria, enquanto os dois zeros seguintes representam a tributação integral pelo ICMS.

Essa estrutura está prevista na regulamentação do ICMS e é utilizada no preenchimento de documentos fiscais eletrônicos.

Além do CST, a emissão de uma nota fiscal exige atenção a outras classificações, como NCM, CFOP, CEST e Código de Regime Tributário, já que cada uma informa um aspecto diferente da operação.

Empresas optantes pelo Simples Nacional também precisam observar regras específicas, porque em diversas operações utilizam o CSOSN no lugar do CST do ICMS.

Para que serve o código CST?

O código CST permite identificar como determinada operação deve ser tratada em relação ao tributo ao qual o código se refere.

No ICMS, ele ajuda a informar se a operação é tributada integralmente, possui redução de base de cálculo, está isenta, tem diferimento, envolve substituição tributária ou se enquadra em outra situação prevista na legislação.

Essa classificação é importante tanto para o cálculo e a escrituração dos impostos quanto para o controle realizado pelas administrações tributárias.

Uma informação incorreta de CST também compromete a qualidade dos dados fiscais da empresa e, dependendo do caso, gera rejeições na emissão do documento ou inconsistências em escriturações e apurações.

O código ainda interessa às empresas que participam da operação, especialmente nas relações entre pessoas jurídicas, porque o tratamento do ICMS influencia questões como créditos tributários e substituição tributária.

Por isso, para escolher um CST, é necessário interpretar a operação concreta e confrontá-la com o regime tributário da empresa, a legislação aplicável ao produto e as regras do estado envolvido.

Quando usar o código CST?

O CST do ICMS aparece principalmente na emissão e na escrituração de documentos fiscais relativos às operações sujeitas às regras desse imposto.

Na NF-e, o sistema utiliza a situação tributária informada no item para determinar quais campos do ICMS precisam ser preenchidos.

O CST também aparece nas escriturações fiscais e em outras obrigações acessórias nas quais a empresa precisa informar ao Fisco o tratamento tributário das operações realizadas.

Obrigação acessória, nesse contexto, não significa apenas um documento que comprova o pagamento de impostos.

O Código Tributário Nacional utiliza o termo para as obrigações de fazer ou deixar de fazer estabelecidas pela legislação no interesse da arrecadação ou da fiscalização tributária.

O cadastro fiscal dos produtos merece atenção especial porque informações incorretas configuradas no sistema de gestão tendem a se repetir nas notas fiscais posteriores.

Por isso, a tabela de CST deve ser analisada em conjunto com outros elementos da operação, e não cadastrada apenas uma vez e esquecida.

Qual a diferença entre CST e CSOSN?

CST e CSOSN são códigos utilizados para informar a situação tributária de uma operação em relação ao ICMS, mas não são aplicados da mesma forma para todas as empresas.

A principal diferença está no regime tributário e no enquadramento fiscal do contribuinte que emite a nota.

Para entender essa distinção, é importante conhecer primeiro o CRT, sigla para Código de Regime Tributário, uma informação utilizada nos documentos fiscais eletrônicos para indicar em qual condição tributária a empresa está enquadrada.

É o CRT que determina se a empresa deve utilizar CST ou CSOSN na informação do ICMS.

O CRT 1 identifica empresas optantes pelo Simples Nacional. Nessa situação, a empresa utiliza, em regra, os códigos CSOSN, sigla para Código de Situação da Operação no Simples Nacional.

O CRT 2 é utilizado por empresas do Simples Nacional que ultrapassaram o sublimite de receita bruta aplicável ao recolhimento do ICMS ou do ISS dentro desse regime.

Para fins de ICMS, essas empresas passam a utilizar CST nas situações previstas pela legislação.

Já o CRT 3 corresponde ao regime normal e abrange, por exemplo, empresas tributadas pelo Lucro Presumido ou pelo Lucro Real.

Esses contribuintes utilizam o CST para identificar a situação tributária das operações relativas ao ICMS.

Já o CRT 4 identifica o Microempreendedor Individual (MEI), que utiliza os códigos admitidos para esse enquadramento conforme as regras da nota fiscal eletrônica.

Assim, CST e CSOSN continuam coexistindo, e a escolha entre eles depende do enquadramento do emitente e das características da operação.

Também existem exceções específicas, como determinadas operações com combustíveis sujeitos à tributação monofásica do ICMS, nas quais contribuintes do Simples Nacional podem utilizar códigos CST próprios.

Por isso, antes de escolher entre CST e CSOSN, é necessário verificar o CRT da empresa e o tratamento tributário aplicável à operação.

Parece complexo? Aí está a importância de contar com um contador de confiança, que vai lidar com essas questões e tomar as melhores decisões para a sua empresa.

Qual a diferença entre CST e CEST?

CST e CEST cumprem funções diferentes e, em determinadas operações, aparecem simultaneamente no documento fiscal.

O CST informa qual é o tratamento tributário da operação em relação ao ICMS.

Já o CEST é o Código Especificador da Substituição Tributária, que identifica determinados bens e mercadorias relacionados às regras de substituição tributária e antecipação do ICMS.

Um mesmo produto listado na regulamentação do CEST não necessariamente terá substituição tributária em todas as operações realizadas.

Isso acontece porque a aplicação efetiva do ICMS-ST depende, entre outros fatores, do produto, da operação, dos estados envolvidos e da legislação vigente em cada unidade federativa.

Por isso, o fato de uma mercadoria possuir CEST não determina sozinho qual CST deve ser utilizado.

Como saber qual código CST usar?

A escolha do código CST começa pela identificação correta da operação e termina somente depois da análise das regras tributárias que incidem sobre ela.

Veja os passos para decidir abaixo.

1. Confira o regime tributário e o CRT da empresa

O primeiro passo é identificar se o emitente utiliza CST ou CSOSN naquela operação.

Empresas do regime normal normalmente estão enquadradas no CRT 3, enquanto empresas do Simples Nacional normalmente aparecem nos CRTs 1, 2 ou 4 conforme sua situação.

O regime tributário, entretanto, não resolve sozinho a classificação, especialmente nas exceções previstas para tributação monofásica.

2. Identifique a origem da mercadoria

Para o CST do ICMS, o primeiro dígito vem da Tabela A (veja adiante) e informa a origem do produto ou bem.

Essa análise distingue, por exemplo, mercadorias nacionais, importadas diretamente e adquiridas no mercado interno com conteúdo estrangeiro.

3. Determine a situação tributária do ICMS

Depois da origem, é necessário verificar como o ICMS incide naquela operação.

A empresa precisa identificar se existe tributação integral, redução de base de cálculo, isenção, diferimento, suspensão, substituição tributária ou outra hipótese específica.

4. Verifique benefícios fiscais e regras estaduais

O ICMS é um tributo estadual e diversas situações dependem da legislação da unidade federativa envolvida.

Benefícios fiscais, diferimentos, reduções de base de cálculo e exigências relacionadas ao código de benefício fiscal são exemplos de fatores que interferem no preenchimento da NF-e.

5. Cruze o CST com os demais códigos fiscais

O CST precisa ser coerente com informações como CFOP, NCM, CEST e eventual código de benefício fiscal.

Uma combinação incompatível entre esses dados gera inconsistências e, em determinadas situações, rejeição do documento fiscal.

Como funciona a tabela CST do ICMS?

O CST do ICMS é formado pela combinação de duas tabelas: 

  • A Tabela A fornece o primeiro dígito do código e indica a origem da mercadoria ou do bem
  • A Tabela B fornece os dois dígitos seguintes e informa a situação tributária da operação em relação ao ICMS.

Assim, para chegar ao CST completo, é necessário combinar as duas informações. 

Veja as duas tabelas a seguir.

Tabela A do CST: origem da mercadoria ou bem

CódigoOrigem
0Nacional, exceto as indicadas nos códigos 3, 4, 5 e 8
1Estrangeira, importação direta, exceto a indicada no código 6
2Estrangeira, adquirida no mercado interno, exceto a indicada no código 7
3Nacional, com Conteúdo de Importação superior a 40% e inferior ou igual a 70%
4Nacional, produzida em conformidade com os processos produtivos básicos previstos na legislação
5Nacional, com Conteúdo de Importação inferior ou igual a 40%
6Estrangeira, importação direta, sem similar nacional nas condições previstas na legislação, e gás natural
7Estrangeira, adquirida no mercado interno, sem similar nacional nas condições previstas na legislação, e gás natural
8Nacional, com Conteúdo de Importação superior a 70%

A descrição do código 8 merece atenção porque ele se aplica à mercadoria ou bem nacional com conteúdo de importação superior a 70%, informação que não deve ser omitida na interpretação da tabela.

Tabela B do CST: tributação pelo ICMS

A Tabela B passou por diversas alterações e atualmente contempla também códigos específicos para situações de substituição tributária e tributação monofásica de combustíveis.

CódigoSituação tributária
00Tributada integralmente
02Tributação monofásica própria sobre combustíveis
10Tributada com ICMS devido por substituição tributária relativo às operações e prestações subsequentes
15Tributação monofásica própria e com responsabilidade pela retenção sobre combustíveis
20Tributada com redução de base de cálculo
30Isenta ou não tributada com ICMS devido por substituição tributária
40Isenta
41Não tributada
50Suspensão
51Diferimento
53Tributação monofásica sobre combustíveis com recolhimento diferido
60ICMS cobrado anteriormente por substituição tributária ou por antecipação com encerramento de tributação
61Tributação monofásica sobre combustíveis cobrada anteriormente
70Tributada com redução de base de cálculo e com ICMS devido por substituição tributária relativo às operações e prestações subsequentes
90Outras

As descrições seguem a atual estrutura da Tabela B reorganizada pelo Ajuste SINIEF 39/2023 e suas alterações posteriores, cuja aplicação também aparece consolidada nas regulamentações estaduais.

Como o ICMS possui legislação estadual e as regras passam por alterações frequentes, o enquadramento concreto de uma operação sempre deve ser conferido antes da emissão do documento fiscal.

Como interpretar um código CST?

A melhor maneira de entender a estrutura do CST é separar seus três dígitos.

Imagine uma empresa sujeita à utilização do CST que venda uma mercadoria estrangeira adquirida no mercado interno.

Se a mercadoria se enquadrar no código 2 da Tabela A e a operação tiver redução da base de cálculo correspondente ao código 20 da Tabela B, a combinação resulta no CST 220.

A partir daí, consideramos o seguinte:

  • O primeiro dígito informa a origem estrangeira adquirida no mercado interno nas condições do código 2
  • Os dois últimos dígitos indicam uma operação tributada com redução de base de cálculo.

Esse exemplo explica a formação do código, mas não significa que toda venda de mercadoria estrangeira adquirida internamente utilizará CST 220.

A redução de base de cálculo precisa estar efetivamente prevista na legislação aplicável à operação.

Como colocar o código CST na nota fiscal eletrônica?

O procedimento operacional depende do sistema utilizado para emitir a NF-e. Normalmente, o CST aparece na área destinada à tributação do ICMS de cada item da nota fiscal.

O sistema também solicita outras informações de acordo com o código informado, como base de cálculo, alíquota, valor do imposto, dados de substituição tributária e eventuais benefícios fiscais.

Por essa razão, se você for alterar manualmente o CST, a mudança precisa refletir o tratamento tributário correto da operação.

Um cadastro fiscal bem estruturado reduz o trabalho manual porque permite que o emissor associe previamente NCM, CFOP, origem, CST ou CSOSN e outros dados relevantes ao produto.

Tabela CSOSN do Simples Nacional

Nas operações em que o contribuinte deve utilizar o CSOSN, os códigos seguem uma tabela própria.

CSOSNSituação
101Tributada pelo Simples Nacional com permissão de crédito
102Tributada pelo Simples Nacional sem permissão de crédito
103Isenção do ICMS no Simples Nacional para faixa de receita bruta
201Tributada pelo Simples Nacional com permissão de crédito e com cobrança do ICMS por substituição tributária
202Tributada pelo Simples Nacional sem permissão de crédito e com cobrança do ICMS por substituição tributária
203Isenção do ICMS no Simples Nacional para faixa de receita bruta e com cobrança do ICMS por substituição tributária
300Imune
400Não tributada pelo Simples Nacional
500ICMS cobrado anteriormente por substituição tributária ou por antecipação
900Outras

A legislação atual determina o uso do CSOSN nas situações previstas para contribuintes enquadrados no CRT 1 ou 4, ressalvadas as exceções aplicáveis, como determinados códigos da tributação monofásica de combustíveis.

Portanto, uma empresa do Simples Nacional não deve simplesmente escolher na tabela tradicional de CST o código que mais se parece com a sua operação.

O sistema tributário utilizado pelo emitente e as regras específicas da operação precisam ser considerados antes da classificação.

A Reforma Tributária vai acabar com o código CST do ICMS?

A Reforma Tributária prevê uma transição gradual do sistema atual para o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), e não a substituição imediata de todos os tributos e códigos existentes em uma única data.

Durante essa transição, as empresas convivem com obrigações relacionadas ao sistema atual e com os novos campos e classificações dos tributos criados pela reforma.

Em 2026, os documentos fiscais eletrônicos já possuem adaptações específicas para informações de IBS e CBS, inclusive CST-IBS/CBS e cClassTrib.

Isso exige atenção redobrada porque existem códigos com a mesma sigla associados a tributos diferentes.

O leiaute dos documentos fiscais eletrônicos recebeu campos específicos para o CST-IBS/CBS e para o código de classificação tributária denominado cClassTrib.

O Portal Nacional da NF-e mantém uma tabela própria para essas classificações e publicou uma versão atualizada em 23 de junho de 2026.

Isso não significa que o antigo CST do ICMS simplesmente mudou de nome. O CST do ICMS continua identificando situações relacionadas ao imposto estadual enquanto ele permanecer aplicável durante o período de transição da Reforma Tributária.

Já o CST-IBS/CBS está vinculado aos novos tributos e trabalha em conjunto com o cClassTrib para identificar de forma mais detalhada o tratamento previsto na Lei Complementar nº 214/2025.

Por isso, empresas e sistemas fiscais precisam distinguir claramente os dois conceitos. Quando um sistema solicitar “CST”, vale conferir a qual tributo aquele campo pertence antes de selecionar qualquer código.

Contabilidade especializada ajuda a evitar erros no CST

O código CST é apenas uma das informações fiscais que precisam estar alinhadas para uma empresa emitir documentos corretamente e manter sua escrituração em dia.

O desafio aumenta porque a classificação não depende apenas do produto, mas também da operação, do regime tributário, da legislação estadual e das mudanças trazidas pela Reforma Tributária.

Um erro cadastral repetido durante meses gera uma quantidade significativa de documentos fiscais com informações inconsistentes.

Por isso, o acompanhamento contábil e fiscal demanda uma boa contabilidade, que orienta a configuração fiscal da empresa, acompanha alterações normativas e identifica situações que exigem revisão antes que o problema se acumule.

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